Felipe

Quando ir para a Escola é como assistir à missa

Abaixo temos uma série de pautas para realizar a Santa Classe por parte de um

docente Malcente universitário, recomenda-se seguir ao pé da letra, se você quer dar uma experiência religiosa alunos.

Entrada:

Malcente atrasado para a aula

(Entra o Malcente na sala de aula, quem faz alguns gestos discretos, tais como, uma genuflexión em frente ao Power Point, antes de introduzi-lo na porta USB e um beijo diante

o altar da mesa. Ligue o projetor e coloca os braços em forma de cruz, esses gestos têm um sentido muito importante e relevante para o início da Santa Classe.

-(Meia-volta) é-Nos quietos, sem?
Queridos irmãos, hoje nos reunimos para celebrar A Classe, com a ânsia de encontrar o Malcente, que vos fará livres com sua didática. Dispongámonos a acessar a Sabedoria pedindo perdão por todas as vossas ofensas aluno, estando dispostos a não pecar mais em época de exames e optar a cada dia para estudar como Ele estudou.
– “E com teu espírito”
-Recebemos o Malcente, cantando. (Os alunos canta).

Liturgia da palavra:
Na Palavra de hoje, eu vos convido a que continuemos a Santa Classe, sem qualquer mas, sem desculpas, sem interrupções… Muitas vezes nos sentimos confusos diante de alguma frase sem sentido do Malcente, ou diante de algum dado científico que está por confirmar… não temais, Ele nunca nos guiá-lo, onde sua graça não se segure.

Quando caminhamos sem apontamentos, quando tomamos anotações em um computador, quando colocamos em dúvida aquilo que nos ensina… não somos discípulos do Malcente.

Quando pedimos que o Malcente deixe-nos os apontamentos em copistería não fazemos senão renunciar ao nosso trabalho de professores, o aluno se torna golpe de pulso, a toque de cotovelo…

Quando nos deparamos com um novo exame, percorremos a via crucis que o Malcente atravessou o seu dia, é necessário revitalizá-lo em cada disciplina, para incorporá-lo à nossa penitência.

-Senhor Malcente, mas não acredita que 80 fiéis transcrevendo o mesmo, que, além disso, já está escrito em Santos Apunt…
– Nós, os Santos Notas não podem ser violados! Nem copiado! Se subir aos céus Campus Virtual perderão sua pureza, e não haríais mas acomodaros, como o rebanho do Malcente que sois.
Repita comigo:

Oração dos fiéis:
Estamos em um mundo cheio de vícios e tentações, muitos fiéis vos quejáis de reproduzir a palavra do Malcente. Não insultéis os antigos escribas! Fazei esta oferta de 60 minutos transcrevendo na íntegra esta Santa Classe.

Ele sofreu com livros em suas costas, segurou na Cruz, foi fustigado com regras por não ter Fé. Ele se sacrificou por nós, não pretendáis remover mérito e mudar a metodologia digna do Malcente. Quem perder a sua boneca, como o Malcente, dándola generosamente por sua causa ganhará a plenitude da Sabedoria.

Oremos:

Irmãos, agora, deixai-vos generosamente a calculadora, não esqueçam de apagar a memória.
(Os alunos, troque as calculadoras)

Oferendas:
Chega o momento da oferta, chegai-vos e ponde-vos em ordem para entregar aquilo que um bom aluno deve deixar de lado. Despojemo-nos do nosso espírito crítico, a nossa ambição, nossa motivação universitária; junto com eles nossas esperanças, dores, entusiasmos e dificuldades diárias.

Entregamos também nossas conquistas, apesar de que nunca te preocupaste por eles Malcente, e nos falaste sem ter em conta o que éramos antes de nossa primeira Matrícula. Também oferecemos tudo o que nos custa segui-lo e o que ainda não conseguimos entender. Hoje, nesta oferta, queremos entregar a Ele o nosso coração, manchado pelo pecado de questionar a sua docência, para que Ele renove. (Fazemos cantando).

-Desculpe-me, Malcente, não será necessário o Espírito Crítico para que, assim, a Universidade nos marque, e além de ser um veículo de formação em conteúdo, seja também da vid…

– Não pequena fiel! O questionamento de tudo o que foi aprendido ofende a figura de Malcente, inviolável e alheio a toda crítica.

-Mas as críticas construtivas permitem uma maior aproximação com a realid…

-Ninguém melhor do que o Malcente conhece vossas necessidades pequeno, isso é assim porque o dizem os Relatos Sagrados.

-Outras Universidades e estudos têm mostrado a respeito Da Santa Aula de hoje, que talvez os efeitos que nos mostra a você não são muito legal. clique na p…

– Oh, como ursa colocar em dúvida as Santas Escrituras?!

Repita comigo:

Comunhão:
Cheios de alegria, nos aproximamos de receber do Malcente um pedaço de giz no quadro-negro, para que nos ajude a segui-lo no caminho. Ó bom Malcente, que te fizeste tão pequeno e terrena desta classe, para ficar com a gente, faz que saibamos ver, pela Fé, a tua presença totalmente real e pura nesta giz.

Do mesmo modo, tomou o projetor e o mostrou a seus discípulos, dizendo:

-Senhor Malcente, por que sempre tem o mesmo esquema Da Santa Classe? Apesar de que algumas vezes é chamado de “Classe”, outras “Seminário”, outras “Simpósio”… A metodologia é simil…

– A Santa Classe se expressa e vehiculiza através do Malcente de muitas formas!, não depende do Malcente mudar a metodologia da classe, mas os fiéis, que devem ouvi-la de forma diferente, já que o Malcente está livre de todo erro.

Repita comigo

Despedida:
Com o Malcente vivo em nosso coração, estamos capacitados mais de um dia, para difundir a Sabedoria de forma plena, o Sigámoslo! Trabalhamos por e para o seu Reino.
Recitamos a oração de despedida:

Não penseis que a bibliografia do Malcente está desatualizada, tende Fé.
Não penseis que os conhecimentos do Malcente são arcaicos, tende Fé.
Não penseis que os meios tecnológicos são ultrapassados, são puros, são austeros, tende Fé.
Não penseis que a inovação docente deve estar em sala de aula, é obra do demônio, tende Fé.
Não penseis que a tecnologia ajuda, só vos distrai a atenção, tende Fé.
Irmãos, não esqueçam de levar a palavra de Notas Sagrados para o vosso dia-a-dia, você pode ir em Paz.

E é assim que a palavra do Malcente levou para um mundo real:

Este post fala sobre os Malcentes, não dos Professores, assim como aconteceu com a entrada de “Motivação universitária exterminada por uma má docência”.
Os bons professores são as pessoas que mais aprecio, porque, além disso, têm que enfrentar um desprestígio social dantesco, além de ser culpados do que hoje sou, para o bem ou para o mal. Não é minha intenção generalizar e entender que é uma situação aplicável a cada Escola/Curso/Disciplina, é simplesmente a reprodução eclesiástica de Santa Classe de um Malcente.

Além disso, quero ressaltar que existem os MALumnos, sobre os que algum dia também escreverei, e que contribuem para que a experiência universitária não seja tão enriquecedora como deveria.

 

“Um bom professor é como uma vela que se consome a si mesmo ao iluminar o caminho para os outros”

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Quando nutricionistas não querem passar a bola

Imagine uma cena

Imagem: Nosotras.com

Recaia a nossa mente uma reunião onde 10 jogadores de futebol estão projetando um curso sobre “A bola”. Este curso foi encarregado de uma escola de futebol em um time profissional, para que, desta forma, alguém o possam transmitir aos seus parceiros.

Os conteúdos deste curso abordam diferentes aspectos: A física da bola, os gols, a batida, o peso, como ensinar a jogar futebol, o terreno de jogo…

Cada jogador de campo da equipa profissional tem a sua especialidade: defesas, médios, dianteiros… todos eles com uma mesma perspectiva: Chutar a bola, deslocá-la, movê-la, marearla ao fim e ao cabo… o objetivo de todos eles é jogar com a bola para marcar um gol. Ao contrário do goleiro, eles têm um conhecimento supérfluo da bola, nunca o viram de perto, nunca o encontraram entre as mãos, porque não podem, não o tratam com carinho, já que não podem tocá-lo; e apesar disso, acreditam que o conhecem bem. Se pensam que por estourar a cada dia a pontapés o esférico são as pessoas que melhor sabem do que se trata o mundo da bola.

(Keylor navas, goleiro da Costa Rica)

A essa reunião assiste também o goleiro. O goleiro é o que conhece a bola de perto, é o que foi visto sempre mais com outra perspectiva, o que teve um verdadeiro contacto com ele. O que você tem nas mãos, porque só tu, o goleiro, é o que você tem a competência e a permissão para pegá-lo com as mãos. A única pessoa com luvas em campo, o único jogador com essas características…

Todos lhe colam chutes na bola, menos o goleiro. Que quer proteger em seus braços. Sabe o que vai a coisa, sabe o quão importante é quando a situação está controlada.

Por este motivo, o goleiro propõe que o curso de “A bola” fale um goleiro, não necessariamente ele (pode ser qualquer outro goleiro). Não necessariamente oferece uma palestra sobre “A relação da bola e o goleiro”. Não é, portanto, uma questão de reivindicar a posição de goleiro. Tudo o que ele quer é que, uma vez que esse curso é para jogadores, e todos eles terão que trabalhar alguma vez com o goleiro, explicar-lhes como é a bola a partir de sua perspectiva. Ao fim e ao cabo, ele é o que defende o gol e o que melhor conhece o bola. Quem melhor que ele para dizer-lhe como é, como tratá-lo, como lançá-lo com o pé, com a mão, ou até mesmo como beijá-lo, depois de uma paragem? O goleiro não só lhe parece lógico, lhe parece necessário.

Infelizmente nem todos os computadores têm a mesma estima pela bola, nem por todas as posições. E, às vezes, a dura realidade se volta contra seu próprio gol. O goleiro se lhe há o campo para cima e é como se eu tivesse o vento contra, quando dizem que:

Se hoje como Nutricionista-Nutricionista usasse luvas, e os jogadores de campo fossem Farmacêuticos do meu ambiente, pode-se dizer sem dúvida que o jogo não se deu bem.

Sinto muito, mas hoje nos voltaram a marcar outro gol.

(Imagem: es.wikipedia.org)

PS: Como sempre, e a minha mais profunda gratidão à profissão de Farmácia, carreira, onde eu tenho a sorte de ensinem, grandes profissionais com os quais trabalho e melhores amigos. Que o interprete como um ataque à profissão, e não frente a atitudes de algumas pessoas que se leia os posts: como profissionais de saúde, ao serviço de quem? e Análise da lei que regula a venda de medicamentos pela internet.

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Conversa com um produto de milagre

NOTA: O seguinte trecho corresponde a uma visita à fábrica de uma conhecida empresa do sector alimentar que realizamos em campo grande, na semana passada, um grupo de estudantes e pesquisadores universitários. Durante a apresentação, a empresa compartilhou aspectos de sua gestão, normas ISO e alguns de seus produtos, após a qual foi aberta uma rodada de perguntas].
É um texto meramente enunciativo, que cada um tire suas conclusões.

P: Olá bom dia, gostaria de pedir um aspecto relativo ao processo de criação de um novo produto por parte de sua empresa, especialmente quando decidem adicionar uma suplementação a vossos suplementos alimentares.
Por exemplo, quando um dia, reunidos em I+D pensando em novas estratégias, chega o momento em que algo vos empurra para adicionar aos seus produtos Ginseng, Fósforo ou Geléia Real, entre outros.
Concretamente, a suplementação com essas substâncias e seus efeitos está um pouco em dúvida, acho que o motivo de adicioná-los é que, a nível social são bem considerados. Além dessa percepção, fazeis estudos para verificar que seu produto tem um efeito específico?
R1: A ver, claro que você olhar para o mercado, nós revemos a literatura antes de fazer um produto, tiramos ideias, fazemos um estudo de mercado… o que Você quer dizer com isso?

P: Não exatamente, não me refiro à base documentada, mas a avaliação dos efeitos de seus produtos. Vocês estão fazendo um estudo para avaliá-los?
(Respondendo) R1:Como você vai entender toda a nossa actividade da baseamos na bibliografia, nós não inventamos nada.
R2: Temos uma grande quantidade de informações antes de lançar um produto sobre o efeito que causam as substâncias.
R1: Claro, por exemplo, nós sabemos, e está na documentação científica que as substâncias desempenham um papel fundamental no desenvolvimento, ou se são nutrientes essenciais. Pois então você pode adicionar a um de nossos produtos para que tenha esse efeito adicional.
P: (Interrompendo) Mas, obviamente, não é a mesma coisa; uma coisa é que um determinado nutriente/substância a nível fisiológico tenha um papel crucial sobre a nossa saúde, e outra bem diferente é que a sua suplementação tenha algum efeito ou apresente alguma melhorias. Por exemplo, pode ser um nutriente que já se encontra em quantidade suficiente na dieta ou uma substância com atividade relativa.
O que eu gostaria de saber é que, se a empresa tendes estudos que comprovem que o vosso xarope com geléia real, é melhor do que um xarope semelhante, que não a leva, ou se essa adição de Ginseng tem um efeito mensurável.
R2: A ver, antes de mais nada, queria esclarecer uma coisa, e é que, nós, somos uma indústria de alimentos, e como tal, os nossos produtos não são medicamentos, mas alimentos.
P: Quais Alimentos?
R2: Sim, e, obviamente, não podemos pedir a um alimento que tenham as mesmas ações que uma droga…
P: Mas a nível publicitário não parece que sejam alimentos convencionais, uma vez que os vendem com declarações como “melhora o desempenho intelectual”, “mais equilíbrio”, ou nomes como “Mente ativa”.
R1: (Sorri) O de “Mente ativa” é simplesmente o nome do produto, é o trabalho de marketing.
P: Já, mas dá a entender coisas que seu produto faz, eu só tento me colocar no lado do consumidor, acho que isso pode confundir ou induzir a engano.
R1: Para nós preocupamo-nos com o consumidor, e não enganamos, porque os nossos produtos são elaborados com uma base científica que os apoia.
R1: A ver, nós adicionamos essas coisas para dar um plus aos nossos produtos, se vemos que podem ter um efeito positivo, pois nos colocamos a sua adição. Como você vai entender, não nos inventamos as coisas, procuramos inovar e melhorar nossos produtos a cada dia…
R2: …quanto ao efeito adicional que sim, que posso te garantir é que nós temos inúmeros telefonemas ou e-mails que nos contactam para parabenizá-lo, e isso é gratificante, com todo o esforço que fazemos aqui, que te ligam para te dizer “Pois o meu avô tem melhorado e vai muito bem”, ou “me ajudou muito este produto, em concreto,” o vale-tudo. Esses comentários lhe dão todo o sentido para o nosso trabalho.
P: eu Posso entender que tenha esse tipo de chamadas e parabéns, mas como seguro que definem as chamadas telefônicas de alguns comentários não são válidas para avaliar a eficácia de um produto.
Obviamente, não são representativas e por outro lado, não estamos levando em conta o efeito placebo, que também pode melhorar os sintomas, por si só, daí que vos pedir que, se você ensaios aleatórios com cego, e que tenham em conta este efeito.
R1: Pois a verdade é que as melhorias são muito significativas e…
R2: Porque se dizemos que há uma base científica em tudo.
P: Mas não era isso que havia perguntado…
R1: Se você quer dizer ensaios clínicos, não, não temos.
P: Ok, obrigado, era o que eu queria saber.
R2: Mas como já foi dito, toda a nossa actividade tem base científica.
R1: mais Alguma pergunta? Prosigamos com a visita…

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Dicas para uma festa saudável, Por que comemos errado em nossas celebrações?

Quando alguém se propõe a fazer uma celebração enfrenta uma dor de cabeça para escolher o menu e os alimentos que vai servir, se ainda por cima se pretende fazer uma festa saudável a preocupação pode ir em aumento, e se por se fosse pouco, se vai servir em um jantar e no verão sob uma intensa onda de calor pode parecer missão impossível por que tem que ser assim?

Provavelmente por falta de imaginação, por cosumbre e por conveniência. Estamos acostumados como coletivo social para que as celebrações sejam sinônimo de excessos (tanto em quantidade como no qualitativo) e isso não tem que ser assim. Podemos desfrutar de uma agradável refeição/lanche/jantar sem ter que recorrer sempre os mesmos alimentos, ou as mesmas receitas.

É possível fazer um cardápio equilibrado para um aniversário?
Por que não começamos a equilibrar nutricionalmente nossas celebrações? Não é incompatível o prazer gastronômico com a saúde. Só faltam recursos culinários e a vontade de ser corajoso inovando. Por que as festas de crianças estão cheias de doces e alimentos que normalmente recomendamos, em menor medida? É uma grande incoerência educar e promover uma alimentação saudável e premiar as pessoas com alimentos menos recomendáveis. Quem já não ouviu frases como “para celebrar o seu aniversário, vamos levá-lo para [cadeia de alimentação random]”? Em vez disso, o dia-a-dia, apresentamos um conflito servir alimentos saudáveis e associá-los à luta, brigas e obrigação ao comer.

Está em nós mesmos como o coletivo dar-lhe o sentido e o valor que queremos para nossos aspectos culturais, e a alimentação nas festas é um muito importante.

O problema de conforto e “jogar o seguro”
Um grande motivo apresentado na inamovilidad desta tradição é a de que “é conveniente” ou “isso agrada a todo mundo”, mas isso é a causa ou a consequência? Como os aniversários e seus menus são, em verdade, a resposta a uma demanda real, ou essa demanda vem de uma criação de uma tradição já estabelecida?

São alimentos que devem ser consumidos em maior medida, por que não vão estar em uma festa em uma apresentação diferente e inovadora?.

Talvez alguns grão-de-bico não são novos, nem melancia de sobremesa iogurte, nem sequer contar uns tomates ao centro com pimenta. Mas podem ser os mesmos ingredientes que utilizamos para apresentar um refrescante gazpacho de melancia ou um saboroso humus para acompanhar a noite. As possibilidades são infinitas, existem muitos sites online que explicam receitas frescas, simples e saudáveis para preparar, até mesmo sobremesas, sim, sobremesas saudáveis!. Eu recomendo o blog do meu colega Lúcia “Dimequecomes” que tem uma grande quantidade de receitas que se podem usar para este fim.

Ontem mesmo eu estava curtindo com a minha gente a celebração do meu aniversário, já lhes eu avisei antecipadamente a página do Facebook que o menu ia ser um tanto especial, alguns até começaram a ficar nervoso…

Os que nos dedicamos à promoção da saúde, temos a responsabilidade de educar, primeiramente com o exemplo, antes que com o nosso discurso e o fazer celebrações deste tipo é uma das minhas maiores cruzadas há anos.

Abaixo eu mostro alguns dos pratos dos que amamos, ontem à noite, um progresso que não acredito em “receitas exatas” considero que as proporções e os ingredientes devem jogar, “pular” e ser alterados conforme a ocasião ou o que você quiser dentro do equilíbrio nutricional, tem muito mais valor do que o fato em si de adaptar um prato ou a utilização de ingredientes em um modo diferente para torná-lo mais atraente ao público em questão. Por isso vos mostro mais bem “ideias” do que as próprias receitas.

Gaspacho de melancia:
Exatamente há como que um gaspacho andaluz normal, a diferença principal é substituir a metade do tomate que usamos por melancia. Consegue-Se obter um sabor muito mais doce e acima de tudo, um impacto muito grande ao paladar. Como recomendação, pode ser servido em copos com alguns pedaços de presunto sobre o gaspacho para dar um toque mais salgado. Se você quiser ver um exemplo de receita aqui há uma:

Humus de grão de bico com iogurte de abacaxi
O fruto, provavelmente, um dos alimentos mais interessantes a nível nutricional e que com menos imaginação usamos na cozinha, pensar em legumes e verão é sinônimo de suor, o calor e o desconforto só de imaginá-lo.

Preparar um humus bem frio pode ser uma ótima maneira de beliscar durante o jantar de maneira saudável, o humus é composto principalmente de grão-de-bico, além de especiarias que se costumam adicionar (no meu caso, curry, açafrão, pimenta e sal), além disso, eu gosto de acrescentar um iogurte de abacaxi, que suaviza muito a textura e o sabor de fruta dá muito contraste.

Arranque roteño
O arranque é uma das especialidades que descobri este ano em terras Andaluzas e que eu mais gostei, podendo servir-se de forma individual, como uma tampa, ou no centro para poder saborear com pão ou picos, este prato é uma especialidade misturando as idéias de um café da manhã maravilhoso, um cus-cus e um gaspacho andaluz.
Mistura de tomate, pimentão e alho com miolo de pão duro para obter uma textura legal para surpreender a quem não a conheça.

Frango com canela
Tinha que colocar algo de proteína para os mais exigentes paladares que pediam algo de crutes (raspa no jantar, e para completar a temática andaluz do menu, endulcé em sabor, um típico alguma super frango com passas, por que eu adicionei canela quando a cebola soltou todo o suco.
Lembrei-Me daquela cena de “Um toque de canela”, filme que me apaixonou anos atrás, onde o avô de Fanis explica que há que acrescentar a canela as almôndegas para que a gente seja mais comunicativa e que você olhe os olhos durante a refeição…

Espero que estas pequenas ideias e, sobretudo, a reflexão inicial ajudem a questionar menus diferentes, além dos tradicionais recursos que ocorrem comumente em aniversários e festas.

Como compartilhar é viver, é claro, estive aberto às contribuições de vinho, magra com tomate, quiche, cidra e bolo que tive por parte de meu povo. São muito bons e não iam me deixar mudar os hábitos de uma… e nem muito menos ficar de braços cruzados.

Desfrute saudável em todos os sentidos. Encerro o post com o bolo, há mais saudáveis, mas não mais que boas. O Fao tem pouco que ver com a FAO da ONU, uma história muito longa e muito scout. Por certo, 24 varas.

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comer, às vezes, é um ato político

A alimentação transcende os limites propriamente ditos de nutrição ou saúde para se tornar um ato político. Já neste blog, com a ajuda de Eduardo Galeano, quis descobrir o que aconteceria “se a política fosse cozinha” mas, para além destas metáforas, a história e os fatos nos demonstram a íntima relação entre nutrição e conflitos ou luta política.

Parece evidente que o problema da fome é uma das lacras do sistema em que vivemos. A nível global, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), cerca de 12,5% da população mundial, ou seja, quase 870 milhões de pessoas se encontram em situação de fome. Normalmente, em nosso país, temos tido a imagem de que a fome só chegava às crianças africanas desnutridas, essas imagens chocantes que algumas ongs tanto têm buscado o seu buraco para chegar ao “coração” de milhares de espanhóis. Essa caridade, valor muito católico, se foi estabelecendo a partir dos anos 80, altura em que Portugal passou, em poucos anos, de ser um país receptor de AOD (Ajuda Oficial ao Desenvolvimento), para ser um país emissor de ajuda.

E o problema vem quando a solidariedade ou caridade se confundem com cooperação internacional e, sobretudo, quando não se questionam as políticas ou ajustes de um sistema político e econômico que nos levou a ser cada vez mais desiguais. Por isso, em muitos lugares da África comer é um ato político, um ato resultante do colonialismo histórico e do neocolonialismo contemporâneo, que existir, existe.

Pensávamos que éramos um país rico, que essas imagens nunca as vemos em nosso ambiente, que esses dados não estavam com a gente porque éramos uma potência mundial e jogávamos “na Champions League econômica”. Mas não, é que a “Marca Portugal” já não é o que era e a Cruz Vermelha lançou na semana passada uma campanha para pedir, pela primeira vez, dinheiro para famílias carentes em nosso país. Refletida em grandes meios de comunicação estrangeiros, a campanha é um paradigma claro do colapso dessa idéia que nós criamos o “primeiro mundo”.

Os famosos carrinhos de compra do Sindicato Andaluz de Trabalhadores e Sánchez Gordillo durante o mês de agosto conseguiram transmitir para a opinião pública o fato de que, na Espanha, tinha gente que passava fome. Independentemente do acerto ou não da ação política e do linchamento da direita midiática para esses atos, não há nenhuma dúvida que esta serviu para alguma coisa, por exemplo, para que alguns supermercados adquirissem um compromisso de doar os alimentos que sobraram a grupos carenciados ou ongs, algo que antes do mês de agosto não fazia a grande maioria, segundo estudos oficiais.

Paradoxalmente, no meio de todo este panorama, em alguns concelhos, como Madrid e Valência decidiram que para o mais precisou, comer do lixo também se transforme em um ato político, uma vez que foram fixados multas de até 750 euros. Porque, claro, já se sabe, há que dar uma boa imagem para o exterior, e não gosto que venha o jornal The New York Times a tirar-nos as nossas vergonhas.

Falta vontade política, aqui e no resto do mundo. Assim o recordou esta semana de mobilizações da Aliança Espanhola contra a Pobreza. “Diferentes sectores, unidos na diversidade, como mostra de uma sociedade civil comprometida na luta contra a pobreza que há um apelo conjunto à cidadania para pressionar e conseguir medidas concretas e não discursos de boas intenções”.

Pesca no Saara

Por outro lado, ativistas ou presos políticos, prisioneiros comuns, têm utilizado com frequência a greve de fome como forma de pressão para alcançar seus objetivos. Sim, que estará no imaginário coletivo o nome Aminatou Haidar, activista sarauí que conseguiu copa capas e romper, de certa forma, a barreira midiática em relação ao conflito do Sahara Ocidental.

O nome de Aminatou nos serve para aproximar-se mais a um conflito tão próximo, mas tão distante. Sabemos que há crianças sarauís que vêm no verão a conviver em nossas cidades “, porque somos solidários” com esse povo, frase feita que tanto se dedicaram a repetir, desde os partidos políticos governantes. Sim, é verdade que enviamos (ou enviábamos, porque os cortes ou ajustes de acordo preferem, estão mudando a situação) toneladas de alimentos para os acampamentos de refugiados. Mas, por outro lado, contribuímos para a ocupação com outras ações, dentro dos chamados “interesses nacionais” com ações e decisões que não se parecem tanto.

Em uma das minhas viagens a Tindouf, acampamentos de refugiados sarauís em território argelino, um jovem me disse: “Recebo em um site que não é a minha terra, latas de atum que me roubam no meu território”. Do outro lado do muro, na cidade de Dakhla, antiga Villa Cisneros e ocupada ilegalmente há 35 anos pelas autoridades marroquinas, saharaui de mais de 50 anos, que viveu o abandono de Portugal me dizia: “Diretamente estão invadindo as nossas costas, não vai sobrar nada”. O que há por trás de tudo isso?

Os pesqueiros de pesca nas margens do Saara Ocidental e são, juntamente com os do Peru, os mais ricos do mundo. E isso é um ponto chave para compreender o conflito. Quando a Espanha abandonou unilateralmente o território, em violação até hoje suas obrigações perante a ONU de levar a cabo o processo de descolonização, Marrocos incluiu aspectos econômicos nos chamados Acordos Tripartidos de Madrid. Neles, mas em outras atas diferentes, foi assinado o reconhecimento de direitos de pesca para as águas do Sahara a 800 navios espanhóis, bem como outros direitos em águas marroquinas.1

Desde há alguns anos, tanto a rede Western Sahara Resource Watch (WSRW), como em outros coletivos em apoio ao povo saharaui realizaram campanhas diferentes para denunciar os acordos comerciais da Ue com Marrocos:

“Nenhum país do mundo reconheceu a anexação do Saara Ocidental por parte de Marrocos. Ainda assim, a UE entrega para o Marrocos, a cada ano milhões de Euros para que os navios da UE possam pescar em águas sarauís. As actividades da UE, no Saara Ocidental devem cessar imediatamente (…) De acordo com a ONU, os recursos naturais do Sahara Ocidental não podem ser explorados sem ter em conta os desejos e interesses dos saaráuis. No entanto, a UE está entregando o dinheiro dos contribuintes ao governo de Marrocos em troca do acesso às águas do Sahara Ocidental, sem sequer consultar o povo saharaui.”2

Durante o ano de 2010, os serviços jurídicos do Parlamento Europeu afirmaram que o acordo assinado entre o Marrocos e a União Europeia em matéria de pesca em violação da legalidade internacional e os direitos do povo saharaui. A principal razão é que não havia provas da população saharaui esteja se beneficiando economicamente desta exploração pesqueira, quando legitimamente lhe pertenceria benefício econômico.

Surpreendentemente para muitos, a prorrogação deste acordo foi rejeitado no passado mês de dezembro, o Parlamento Europeu, entre outros motivos, além da baixa rentabilidade, encontrava-se a menção ao Saara. O único eurodeputado português que votou na linha da maioria parlamentar para rejeitar o acordo foi Raul Romeva, de Iniciativa per Catalunya-Os Verdes. No entanto, já sabem como é isso da política, no mês de fevereiro, a UE voltou a decidir o que se retomaram as negociações para um novo acordo de pesca. Como quem ouve chover no rascunho inicial foi abandonado de novo qualquer referência ao Saara Ocidental. Assim, todos os países europeus menos, Reino Unido, Holanda, Finlândia e Suécia, voltaram a votar a favor de retomar o acordo. As últimas previsões indicam que este acordo vai avançar a partir do mês de novembro.

Segundo a maioria dos historiadores, jornalistas ou movimentos sociais, a exploração dos recursos naturais e dos diferentes acordos comerciais com Marrocos são dois dos principais motivos do interesse pelo território. Sobre eles, e sobre a estratégia geopolítica, foi vertebrado grande parte da história do conflito, desde a época colonial até os nossos dias.

Empresas espanholas

Mas, como isto afecta o cidadão comum? Verifica-se que a já mencionada WSRW, em seus anos de pesquisa, foi denunciado em inúmeras campanhas de venda no nosso território, de produtos provenientes da área ocupada. O exemplo mais claro é o caso da Mercadona, que foi distribuído durante anos, as conservas de sardinha e atum da empresa Jealsa sob a sua marca branca Fazendeiro. Esta empresa também fornece as latas de marcas como Rianxeira ou Escuris. Foram realizadas campanhas sob o lema “Comprar roubado é roubar” que pretendiam sensibilizar o cidadão de sua cumplicidade com esta ilegalidade. Mas há muitas outras empresas que trabalham ou já trabalharam, perto dos portos sarauís, como Calvo, que esteve durante anos, mas comunicou sua saída do território em 2008. Outras são menos conhecidas, como King Pesca, Congelados Troulo ou Meripur, entre outras. A opacidade das empresas no território ocupado há muito difícil a identificação de onde estão vindo esses produtos, já que os caminhões que circulam transportando esta mercadoria são todos brancos e sem nenhum tipo de identificação.

Em 21 de setembro deste ano conhecíamos a notícia de que Jealsa ia deixar a cidade de El Aaiún para transferir sua produção para a província de A Coruña. Sem dúvida, é uma boa notícia que premia, de certa forma, a luta política levada a cabo pelos movimentos sociais. Mas, paradoxalmente (ou não), coincidiu quase no tempo, com a aprovação na Comissão de um relatório económico sobre os produtos da pesca, “Relatório Stevensson”. Este documento inclui um ponto que assinala que a informação sobre a área de captação e a origem da matéria-prima é um dado que não tem por que no rótulo de uma lata de conservas ou de um produto transformado.

Isto significa, quando se formalize a aprovação final, basicamente, que os cidadãos não sabem de onde vem o atum, a cavala ou as sardinhas em lata que está comendo. Por certo, que esta menção foi incluído após uma alteração particular, a deputada do PP, Carmen Fraga.

O Saara é só um exemplo concreto dentro de um sistema em que as decisões políticas a nível internacional influenciam em nossa vida diária, sem que nos demos quase nem conta. Não se pode responsabilizar ninguém que por desconhecimento tenha comido umas sardinhas expoliadas ilegalmente. Mas podemos nos responsabilizar ampliar os nossos conhecimentos, de tentar saber o que estamos comendo, como tem sido feito esse produto e em que condições. E já, avaliar. Porque também poderíamos falar da origem dos produtos agrícolas e de quanto lhe chega ao agricultor, também por uma série de decisões econômicas mundiais. Mas isso já outro dia. E se me deixam.

1BÁRBULO, Tomás. A História Proibida do Saara Espanhol. 2002. 263 pp

2 Extrato de carta de protesto dirigida à UE sobre a exploração de recurso no Saara. Mais informações: (on-line), http://www.fishelsewhere.eu

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Colaboração de Miguel Muñoz, @MiguelMunoz86, grande amigo, jornalista especialista em Informação Internacional e países do Sul, participa do projeto Latitud194 e você pode ouvir na Rádio Almenara. Ao igual que o autor deste blog, é um albaceteño de ida e volta, com o qual partilha a sua paixão pelo voluntariado e a educação em valores, que também os tem muito caros.

Licenciou-Se em jornalismo na UCM (Madrid), trabalhou, entre outros lugares, na Verdade (Albacete) e A Nação (San José-Costa Rica). Luta pelo jornalismo, porque gosta de sua profissão, que é no que acredita, como profissional e cidadão.

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